terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Subjectividades

Quem errou? Quem fez ou quem levou a fazer?
O que aconteceu? As razões? Será necessário razões para tudo o que fazemos? Ou fazemos tudo somente por "acasos"?
Gostamos das pessoas porque? Porque sim? Porque achamos bem?
Perguntas e perguntas, onde andam as respostas? E o que me trouxe a escrever estas palavras?
"Apeteceu-me" e apeteceu-te porque? "Porque me veio à ideia!" e porque te veio à ideia?
Conversa de malucos não vos parece? Mas vamos lá pensar um pouco nisto.
Em filosofia damos o determinismo, radical e moderado, que defendem que todos as nossas ações são provocadas por algo anterior, acontecimentos ou outros atos, decisões, ou seja o que for! O que nos está a acontecer ou o que escolhemos e fazemos nunca é totalmente livre, nem por nossa escolha arbitrária. E também damos o libertismo, este que defende que todos os nossos atos e escolhas são completamente e inquestionávelmente livres!
No acreditam vocês? Não acredito na total liberdade de nós mesmos, há sempre condicionantes, há sempre algo que não nos deixa fazer aquilo que realmente queremos. Oh liberdade de espirito! Chama-se a isso sonhar!
Estou aqui neste momento à frente do meu computador a escrever este inutil texto porque razões X me trouxeram a isto e acontecimentos Y fizeram com que eu fosse N e gostasse de M.
Complicado ou chegam lá? Questões puramente filosóficas, cada um lá acredita no que quer.
E outra questão que me veio à baila é isso das verdades universais, não sou muita dada à objectividade, prefiro pensar que é tudo relativo e subjectivo, não se pode determinar e caracterizar uma pessoa da mesma maneira que se diz que se uma laranja é cor de laranja, todas as laranjas são laranjas! É ridiculo!
As pessoas tem a capacidade absurda e sádica de pensar e são esses pensamentos que as fazem agir da maneira que agem! Não há completos pensamentos iguais, não há pessoas iguais, as histórias de cada uma mudam, os gostos, as personalidades, é tudo relativo!
Se um homem mata alguém porque queria o dinheiro dessa tal é julgado e culpado como assassino, deverá um homem que mata para salvar a sua familia sofrer do mesmo destino?
Os atos são os mesmos, já as razões são bastante diferentes! Não há comparação.
Somos humanos, seres motivados a agir por emoções, pensamentos, ambições e loucuras! Somos estranhos e cada um de nós deveria ser visto com uns olhos moldadores que se apercebessem de todo o molde, de forma a que nada fosse deixado para trás sem ser compreendido.
Enfim estou numa de filosofia hoje!

IsaGuerra

domingo, 18 de janeiro de 2015

Refúgio

O que há de mais belo do que isto? O rio, o sol, a natureza, a música. O único ruido menos natural que se houve são estes comboios que passam. Não podem perder tempo, há quem espere por eles.
Casais enamorados fogem para aqui, idosos que já nada mais tem para fazer vem relaxar neste jardim, amantes de barcos e do rio por aqui andam também a apreciar suas paixões.
E eu limito-me a observá-los, tento adivinhar o que os trouxe aqui, as histórias inspiram-me, fazem-me crer na vida. Beleza esta a de imaginar! Não somos nós todos feitos de histórias?
E eu para aqui vim, a ideia surgiu-me e eu segui o meu desejo. Tinha saudades de ver o rio, saudades e falta desta relaxante melodia da natureza. Fugi das vozes e dos ruidos. Precisava disto, de ter uma méra ilusão de que fugi de toda a humanidade nem que seja por momentos.
E este sol! Que bem que está a saber-me! Tão quente, tão cheio de vida! Dá vontade de ser como ele e abraçar a vida!
Tantos efeitos que este local me provoca, porém o silêncio é tão grande.
Ouve-se o rio, a água brilhante que me encanta e pela qual me apaixono. Os pássaros que se refugiam de todos aqueles que bem não lhes querem.
E de repente olho e não há mais viva alma por aqui. Onde foram todos? Voltaram À vida? Não quero voltar! Fosse eu dona de mim e não mais sairia daqui. Isto por aqui é tão belo, não como uma obra de arte pintada de uma paisagem fictícia, esta obra está em movimento e é real! Esta beleza tão natural, sem artifícios para nos chamar a atenção, seduz-me imenso.
E quando já tudo foi apreciado e visto, eu fecho os olhos e ai está a verdadeira beleza deste sitio. A capacidade de podermos sonhar e imaginar aqui mesmo. Por breves momentos de olhos fechados, eu já não sou eu, sou parte de toda esta orquestra que me envolve, deixei de ser uma parte para fazer integrante neste todo.
Momento de paz e serenidade este, preciso disto mais vezes.
Pergunto-me: porquê tudo isto a que nos sujeita-mos?
Para quê tanta guerra com outros ou nós mesmos? Não seria mais simples se fosse assim? Se fossemos parte dela, unidos a esta orquestra natural, apaixonados não por nós mesmos mas sim por esta simplicidade, esta beleza, esta naturalidade, esta poesia sem palavras!
parque vfx . tirado por isa guerra.
Fosse eu dona de mim mesma, e vivia de mãos dadas, seria parte dela.
Este refugio acalmou-me a alma, já que esta se encontrava às avessas. Preciso disto mais vezes, para apaziguar a minha alma, tão bem que aqui estou.
Mas a vida chama e eu tenho que voltar para onde calma, silêncio e paz não são estados mas sim exigências nunca cumpridas.
Vou despedir-me com olhar de tristeza porque não quero partir, mas voltarei, não deixarei este lugar, não partirei desta calma.
Não, não deixarei, não partirei.

IsaGuerra

Somos Nada.

Queremos tanto ser algo e inevitavelmente gastamos nossas forças em vão acabando por ser nada, ninguéns!
Presidentes, ministros, reis, líderes, imperadores, gentes, donos do que? De quem? Nem de si mesmos são donos!
Seus donos do nada, não passamos de matéria, poeira, sujidade, germes!
E vocês querem tudo, criam esses tudos em vossas cabeças e logo isso se pega! Querem todos os vossos "tudos" até ao dia que perceberem que não é nada!
Pobres, pobres que pensam ser ricos, destroem, matam, magoam, ambicionam, seus nadas!
A revolta por estes Ninguéns dá-me a raiva de ser da mesma matéria que estes!
Como dizer a todos que não somos ninguém? Como mostrar a todos que nada do que possuímos é realmente e verdadeiramente nosso? Nem nós mesmos! Se fôssemos donos de nós mesmos teríamos a vida que sonhamos, e que eu tenha reparado ninguém vive unicamente de seus sonhos sem ser de olhos bem fechados!
Gentes ignorantes com mentes demolidoras e sádicas!
Parem de querer ser alguém, abram os olhos e apercebam-se do quão é bom ser nada! Um nada cheio de tudo se formos ver, juntamo-nos aos nossos, oh belos nadas!
Gentes não matem, gentes não destruam o que não é vosso. Vivam o que é ilogicamente vosso e deixem o que não vos é em paz!
Deixem, parem!
Não criem ilusões para as razões pelo qual vos criaram , é tudo falso, fruto da mente humana, e o que é criado pela mente humana nunca é absoluto e realista.
Que vos diga? Nem eu o sou.

IsaGuerra

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

uma História de amor

Tristes e belas são as histórias de amor.
Tristes elas quando não acabam da maneira que era desejada e esperada.
Oh, amar é tão complexo, tão doloroso.
  A história que vos vou contar é das mais tristes já contadas.
Da Luz e da Sombra, história de dependência, trágica, de fazer as almas latejar.

Era ele Sombra, ela Luz.
Não vivia sem ela, a sua ausência tornava-o em nada, tornaria-se parte de uma escuridão profunda, ela dava-lhe forma, dava-lhe vida.
Sem a Luz, Sombra não era nada.
Mas ele cometeu um erro fatal a si mesmo, apaixonou-se pela Luz e a dependência, fascinação e desejo por ela apareceram, e só cresceram.
O que faria ele? Não podia tocar-lhe, não a poderia beijar nem amar, não se poderia declarar.
Se o fizesse, ele morreria, seria o seu fim. Então ele observava-a de longe, apreciando todo o seu esplendor, a sua grandeza, o seu poder, e o amor aumentava.
Triste vida aquela, mas mesmo assim irónico a Sombra ter que viver na sombra do seu amor.
Mas nada poderia fazer! Será que ela partilhava do mesmo amor por ele? Provavelmente nem saberia da sua misera existência, e se soubesse, ela nunca se interessaria por algo tão negro, tão dependente, tão sem vida.
Ela alimentava a vida de tantos, tornava tantos felizes, era vida para montes de criaturas e outros.
Sombra era o único que se tinha de manter afastado dela! Pobre vida o deste, cruel estas vidas dos que vivem por meio dos outros!
Mas um dia, já farto e cansado de conter todo aquele sentimento que o angustiava e louco o deixava, ele desistiu de si.
Atirou-se à Luz, com todo o seu amor a rair por todo o seu negro corpo, chorou por ela.
Olhou perante os seus olhos brilhantes e num pequeno murmúrio disse desesperadamente que a amava, pela primeira e ultima vez. E após esse olhar que durou anos, vidas, milénios, Sombra desapareceu, morreu perante Luz.
Morreu feliz porque a olhou pelo menos uma vez, e por ter dito a palavra que tanto lhe prendia o coração de carvão.
E a Luz, ela coitada, que sempre quis conhecer quem vivia nas suas sombras e nunca pode, percebeu pelos olhos de Sombra que o seu amor era verdadeiro e tal modo forte que ele morreu por ela.
Sentiu pena e chorou por ele, mas logo as enxugou.
Havia mais criaturas e coisas pelas quais se poderia apaixonar, pelas quais ela se deveria preocupar, mais que a poderiam amar.
Não seria o fim dela, longe disso, somente o fim de uma grande obcessão e dependência.
E então a vida continuou para Luz, nunca mais nele pensou, de que lhe valia?

IsaGuerra

domingo, 4 de janeiro de 2015

Natureza

Tão simples e grandiosa, mantêm-se cheia de esplendor sem pedir nem querer nada em troca.
Tudo nela tem a sua respectiva função, oxigénio, polinizar, procriar entre outras variadas funções.
Então foram eles criados, ou evoluídos, cada um é que sabe aquilo em que acredita ou pensa acreditar.
Apareceram os humanos nos solos virgens e estes fizeram parte dela.
Pobre natureza, sabia lá ela o que fazia.
Eram eles natureza, até ao dia em que começaram a querer mais, a ambicionar mais, desde ai, ideias macabras surgiram, e a mãe chorou.
Estava tudo equilibrado, os animais, as plantas,o vento, os mares e até os mais pequenos insectos,  tinham suas funções para que tudo se mantivesse num ritmo harmonioso.
Mas os humanos, outrora animais deixaram de o ser, os animais não tem tão maligna mente.
Mais quiseram, e assim começaram a cortar raízes dos seus irmão para suas casas construírem, mataram e toda a pele e pelo tiraram a outros irmãos para se manterem quentes.
Lutaram entre eles mesmos, irmãos do mesmo sangue e raça para se apoderarem daquilo que nunca foi deles, até aos dias de hoje.
Pobre mãe, mãe de todos, tão triste deve estar vendo os seus filhos matando os restantes mais fracos e humildes.
Nomearam-se como pais deles mesmos, e que tudo foi criado para seu proveito, começaram a acreditar nessas mentiras, e agora são pais e donos de tudo o que não lhes pertence.
Os outros irmãos mantêm-se fieis à mãe, amam-na e respeitam-na, não vêem prazer nessa luta pelo poder, eles fazem parte de algo tão belo, para quê lutar e destruir tudo? Vivem em harmonia equilibrada, numa constante guerra silenciosa com os irmãos mais novos.
A mãe está cansada, tanta luta deixaram-na exausta, ela desapareceu. Boa demais é ela por não os expulsar de suas terras, mas mãe que é mãe ama seus filhos.
Esses filhos, os humanos, que acharam por bem fazer da terra sua, sugando toda a sua vitalidade até à ultima gota.
Assassinos da mãe.


IsaGuerra