Tristes e belas são as histórias de amor.
Tristes elas quando não acabam da maneira que era desejada e esperada.
Oh, amar é tão complexo, tão doloroso.
A história que vos vou contar é das mais tristes já contadas.
Da Luz e da Sombra, história de dependência, trágica, de fazer as almas latejar.
Não vivia sem ela, a sua ausência tornava-o em nada, tornaria-se parte de uma escuridão profunda, ela dava-lhe forma, dava-lhe vida.
Sem a Luz, Sombra não era nada.
Mas ele cometeu um erro fatal a si mesmo, apaixonou-se pela Luz e a dependência, fascinação e desejo por ela apareceram, e só cresceram.
O que faria ele? Não podia tocar-lhe, não a poderia beijar nem amar, não se poderia declarar.
Se o fizesse, ele morreria, seria o seu fim. Então ele observava-a de longe, apreciando todo o seu esplendor, a sua grandeza, o seu poder, e o amor aumentava.
Triste vida aquela, mas mesmo assim irónico a Sombra ter que viver na sombra do seu amor.
Mas nada poderia fazer! Será que ela partilhava do mesmo amor por ele? Provavelmente nem saberia da sua misera existência, e se soubesse, ela nunca se interessaria por algo tão negro, tão dependente, tão sem vida.
Ela alimentava a vida de tantos, tornava tantos felizes, era vida para montes de criaturas e outros.
Sombra era o único que se tinha de manter afastado dela! Pobre vida o deste, cruel estas vidas dos que vivem por meio dos outros!
Mas um dia, já farto e cansado de conter todo aquele sentimento que o angustiava e louco o deixava, ele desistiu de si.
Atirou-se à Luz, com todo o seu amor a rair por todo o seu negro corpo, chorou por ela.
Olhou perante os seus olhos brilhantes e num pequeno murmúrio disse desesperadamente que a amava, pela primeira e ultima vez. E após esse olhar que durou anos, vidas, milénios, Sombra desapareceu, morreu perante Luz.
Morreu feliz porque a olhou pelo menos uma vez, e por ter dito a palavra que tanto lhe prendia o coração de carvão.
E a Luz, ela coitada, que sempre quis conhecer quem vivia nas suas sombras e nunca pode, percebeu pelos olhos de Sombra que o seu amor era verdadeiro e tal modo forte que ele morreu por ela.
Sentiu pena e chorou por ele, mas logo as enxugou.
Havia mais criaturas e coisas pelas quais se poderia apaixonar, pelas quais ela se deveria preocupar, mais que a poderiam amar.
Não seria o fim dela, longe disso, somente o fim de uma grande obcessão e dependência.
E então a vida continuou para Luz, nunca mais nele pensou, de que lhe valia?
IsaGuerra
Gostei muito espero que continues a escrever.bjs Madrinha
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