domingo, 18 de janeiro de 2015

Refúgio

O que há de mais belo do que isto? O rio, o sol, a natureza, a música. O único ruido menos natural que se houve são estes comboios que passam. Não podem perder tempo, há quem espere por eles.
Casais enamorados fogem para aqui, idosos que já nada mais tem para fazer vem relaxar neste jardim, amantes de barcos e do rio por aqui andam também a apreciar suas paixões.
E eu limito-me a observá-los, tento adivinhar o que os trouxe aqui, as histórias inspiram-me, fazem-me crer na vida. Beleza esta a de imaginar! Não somos nós todos feitos de histórias?
E eu para aqui vim, a ideia surgiu-me e eu segui o meu desejo. Tinha saudades de ver o rio, saudades e falta desta relaxante melodia da natureza. Fugi das vozes e dos ruidos. Precisava disto, de ter uma méra ilusão de que fugi de toda a humanidade nem que seja por momentos.
E este sol! Que bem que está a saber-me! Tão quente, tão cheio de vida! Dá vontade de ser como ele e abraçar a vida!
Tantos efeitos que este local me provoca, porém o silêncio é tão grande.
Ouve-se o rio, a água brilhante que me encanta e pela qual me apaixono. Os pássaros que se refugiam de todos aqueles que bem não lhes querem.
E de repente olho e não há mais viva alma por aqui. Onde foram todos? Voltaram À vida? Não quero voltar! Fosse eu dona de mim e não mais sairia daqui. Isto por aqui é tão belo, não como uma obra de arte pintada de uma paisagem fictícia, esta obra está em movimento e é real! Esta beleza tão natural, sem artifícios para nos chamar a atenção, seduz-me imenso.
E quando já tudo foi apreciado e visto, eu fecho os olhos e ai está a verdadeira beleza deste sitio. A capacidade de podermos sonhar e imaginar aqui mesmo. Por breves momentos de olhos fechados, eu já não sou eu, sou parte de toda esta orquestra que me envolve, deixei de ser uma parte para fazer integrante neste todo.
Momento de paz e serenidade este, preciso disto mais vezes.
Pergunto-me: porquê tudo isto a que nos sujeita-mos?
Para quê tanta guerra com outros ou nós mesmos? Não seria mais simples se fosse assim? Se fossemos parte dela, unidos a esta orquestra natural, apaixonados não por nós mesmos mas sim por esta simplicidade, esta beleza, esta naturalidade, esta poesia sem palavras!
parque vfx . tirado por isa guerra.
Fosse eu dona de mim mesma, e vivia de mãos dadas, seria parte dela.
Este refugio acalmou-me a alma, já que esta se encontrava às avessas. Preciso disto mais vezes, para apaziguar a minha alma, tão bem que aqui estou.
Mas a vida chama e eu tenho que voltar para onde calma, silêncio e paz não são estados mas sim exigências nunca cumpridas.
Vou despedir-me com olhar de tristeza porque não quero partir, mas voltarei, não deixarei este lugar, não partirei desta calma.
Não, não deixarei, não partirei.

IsaGuerra

Sem comentários:

Enviar um comentário