Deixam-se levar pelo tempo, ansiosos pelas suas próprias quedas.
Vivem perante rotinas, isolados do mundo e até de si mesmos.
Está tudo programado, desde os comprimidos já previamente escolhidos postos em cima da mesa, montes deles, à espera de serem consumidos. Já não para curar, a cura já teve o seu tempo e foi em vão.
Não há já cura para estes seres presos neles mesmos, num corpo a definhar.
A doença é carrasca da vida e a morte mata aquilo que já não mais vive.
E eles esperam, sentados, de olhos vazios postos na televisão, vendo as notícias como quem ainda se preocupa. Já nada mais se pode fazer. Faltam as forças para cavar e cultivar. Faltam as forças para comer ou cozinhar, e já nada mais lhes interessa, deixem-os em paz e sossego que é o que já merecem.
Será este também o nosso destino?
Impiedosa vida que não deixa viver como deveria ser.
A doença cansou-os, o resto esquece-os, foram esquecidos mas mesmo assim lá estão eles, a viver a vida deles como se ainda vida fosse.
Acordar, comer, comprimidos, sentar, comprimidos, comer, deitar. Um ciclo que se torna rotina, e esta rotina que se torna vida para muitas gentes perdidas.
Mente e corpo cansados de viver, adormecidos e paralisados no tempo.
Presos a eles mesmos.
IsaGuerra
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